Aquela gota de sangue não queria ir para o cérebro, queria o coração.
Empacou. Secou. Endureceu ali no meio do caminho.
Turvou o olho, congestionou o olfato, lambuzou o paladar, perdeu o labirinto no desequilíbrio, desestatizou o tato.
Foi no antepenúltimo suspiro lânguido de um músculo sofrido que deixaram-na passar, aquela teimosa.
E a máquina voltou ao seu conserto.
Aquela gota de sangue nunca mais saiu de lá. Indo e voltando, de um lado para o outro, vivia se purificando mesmo sem se sujar de nada com o que as outras gotas viam, sentiam, sofriam, viviam. Nunca aprendeu a olhar para o lado de fora.
Só ela sentia-se feliz, aquela teimosa.
02/02/12
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